#NossoFutebol028 Os favores de Maitê Proença para o futebol brasileiro

Os favores de Maitê Proença para o futebol

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A autoridade da pessoa pública é uma ferramenta muito bem utilizada para mudar a nossa opinião, o que pensamos das coisas, como nos vestiremos, em quê gastaremos o fruto do nosso penoso trabalho. A mídia investe em criar os personagens, e, naturalmente deseja ver o retorno.

Demoro muito para escrever sobre certas coisas, porque prefiro perder o time da piada a ter de mudar de opinião por qualquer vento. Mudo o que penso e já estou bem adaptado a isso, mas antes de confirmar o que penso, eu repenso, e repenso novamente.

O alvinegro do Rio retornou à primeira divisão do futebol brasileiro, talvez não com a folga que imaginava, mas, sem dúvidas com o objetivo que necessitava. Um ano de Série B ensina muito para clubes de tradição, mas não é sadio tornar-se contumaz fora da elite. Está custando muito caro ao Botafogo-RJ passear pela segunda divisão, mas depois de muitas rodadas, o time de Garrincha conseguiu o acesso e garantiu o título da Série B.

Mas acontece que existem coisas que só se extraem debaixo da pressão. Em outra mão existe a mídia e seu poderio. Quando somamos mídia e pressão, se extrai um produto. Resisto a pensar que as coisas acontecem de forma aleatória na televisão. Não consigo ver uma ideia aparecer assim, de repente, sem roteiro e previsão. Talvez tenha sido sem ensaio, mas a global Maitê Proença, de tanta quilometragem na televisão, fez uma promessa daquelas bem naturais, e colocou como condição de cumpri-la o acesso do Botafogo à primeira divisão.

Não fiz nenhuma pesquisa, e não tenho recursos para fazê-la. Gostaria apenas que você, caro leitor, imaginasse as dificuldades que o alvinegro teria para retornar à Série A. Para alguns, não seria nada fácil, mas, na minha opinião, seria apenas uma questão de tempo. Tempo suficiente para arquitetar aquilo que fluiu como uma ideia assim, bem despretensiosa. Um período adequado para sincronizar o drama de muitos tropeços alvinegros a uma direção bem feita para o grande final: a apoteose do estereótipo brasileiro.

Não desejo focar na nudez cara e prometida da atriz, porque, a liberdade artística que a ela assiste quero me utilizar neste momento. Tampouco censurar um manifesto particular diante dos olhos públicos. Nudez se vê gratuitamente e, muitas vezes, sem que seja dado o direito de não ver. Hipocrisia e inocência achar que a nudez de uma atriz é novidade.

Escrevo este texto porque o Brasil já é vítima de tantos estereótipos, tantas piadas no consciente e inconsciente popular. Se a promessa de tirar a roupa com o acesso alvinegro em pleno ar foi despropositada, por favor, coloquem um propósito em não constranger as mulheres que não desejam ver nos estádios a tríade do futebol, bebida e mulher. Este é um lugar comum bem sem criatividade, eu diria. Sei que é feio e sem graça não rir do machismo que perpetua a imagem de que o futebol não foi feito para todos, mas a criatividade se renova a cada dia, vale a pena investir em fazer o diferente.

Todo bom Diretor está preparado para ouvir as críticas, e nesta trama onde a protagonista deverá pintar sem roupa, o cenário foi poderia ser melhor escolhido. Foi até piegas querer fazer graça para muitos marmanjos enquanto constrange as mulheres. Só espero mesmo é que esta trama passe logo e que o acesso do Botafogo não seja coberto pela nudez sem propósito e sem Direção. O futebol poderá sair melhor disso.

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