#NossoFutebol026 Treinadores com prazo de validade

Treinadores com prazo de validade

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Cresci vendo um futebol que sussurra novas ideias e grita com o perene lugar comum. O futebol onde bom é o que vem de fora, onde a fraqueza ou fortaleza se mede pelo agradar (ou não) dos sabedores de opinião.

Em meio a essa visão curta do horizonte futebolístico, sempre foi conveniente e fácil apontar para os gestores que, ao perder alguns jogos, chutam os projetos para eternos três meses e tentam uma nova saída com algum salvador da vez. Não satisfeitos com o sangue dos diretores que tomaram tal decisão, os mesmos críticos resolvem comer a carne do recém-chegado, que por razões óbvias consegue resultados e curto prazo, e em muito pouco tempo segue o ciclo da troca de comando vigente.

Bom, eu sempre acreditei que realmente o treinador que estava saindo era um injustiçado, e que isso se devia a pura incapacidade administrativa dos clubes, regada a pura paixão. O que mudou nos meus poucos anos de vida e observação deste fenômeno singular? Não foi muita coisa… Na verdade, até acho que haja uma tremenda falta de planejamento de muitos gestores, mas é mais cômodo estar aqui escrevendo estas palavras do que ocupar uma cadeira de presidência. Devemos cobrar sempre o trabalho dos homens do futebol, mas não me agrada o deleitar sobre o sangue alheio.

Ademais a falta de objetivos maiores, planejamento de médio e longo prazo etc, algo que faz falta não apenas às diretorias esportivas, tento ver algo além do desespero alheio. Em algumas trocas de comando técnico, tem-se visto algo positivo. O erro e o acerto são consequências de uma tentativa e, sinceramente, é difícil não tentar algo quando imprensa, torcida e finanças estão a forçar uma medida imediata. Trocar de treinador no meio de uma temporada nada mais é que uma tentativa desesperada de tentar agradar a todos, e, meu amigo, ao tentar agradar a todos nunca se agrada quem deveria.

Como somos livres para falarmos aquilo que queremos, pretendo fazer uma crítica construtiva: caros dirigentes, ao tentar solucionar os problemas de um time, utilizem-se da inteligência (e não do fanatismo) dos seus pares. Existem soluções que, conforme a sua natureza, podem ser divididos entre curto, médio e longo prazo. Vale a pena colocar a decisão de contratar uma coordenação técnica no prazo correto. Seguir planejamento não vai calar a imprensa, mas não se pode agradar a todos.

Vejo que muitas trocas de treinadores deram certo este ano, mas a validade de um técnico não pode ser definida pelo ácido desespero por resultados. Situações críticas necessitam de medidas proporcionais, portanto, se não está dando certo e não se vê sinais de que vai dar, é perfeitamente justificável trocar o comando. A capacidade está em observar estes sinais. O Corinthians vem sendo um grande exemplo disto: viu Tite cair diante do fraquíssimo Tolima e comemorou o maior triunfo do clube no ano seguinte.

Em terras alencarinas, o alvinegro alcançou a sonhada vaga na Série A com um treinador contratado em meio ao campeonato: PC Gusmão levou o time ao terceiro lugar da Série B segurando a equipe que o defenestrado Zé Teodoro comandara. Luiz Carlos Cruz assumiu o Fortaleza no em meio à temporada após longo período sob o comando de Ferdinando Teixeira e conseguiu o sonhado retorno à Série A do campeonato da CBF.

Planejar é verbo mais raro e precioso, mas ainda vale a pena.

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