#NossoFutebol015 Quando a bola não “entra na casinha”

Quando a bola não entra na casinha

Quando a bola não “entra na casinha”

Ouvindo uma entrevista do ex-Presidente do Atlético-MG, tentei discordar daquela figura que afirmava não ter interesse em retornar ao comando do alvinegro de Minas Gerais. Como pode um homem que trouxe as taças mais importantes para o Galo mineiro teimar em não querer retornar ao comando e à sequência de vitórias? Bastou apreciar a fisionomia do Presidente Evandro Leitão que a resposta me veio com as lágrimas do gestor alvinegro cearense.

Confesso que estava com uma certa dificuldade em iniciar qualquer coisa acerca da crise em que o atual Campeão do Nordeste se encontra. Primeiro porque até mesmo os jornalistas profissionais em sua imensa capacidade de encontrar a resposta para tudo se encontram perdidos nas suas elaboradas explicações. A outra razão vem de eu não querer fazer como os mesmos formadores de opinião e ter que reescrever a minha assim que o time sair da crise. Decidi então não querer fazer conjecturas. Não me encontrei com a menor capacidade para tal. Reproduzo aqui a frase que me fez ser firme nesta decisão: “Presidente é bom quando a bola entra na casinha”. Essa frase é do ex-Presidente Kalil, do Clube Atlético Mineiro. O gestor que levou o troféu mais importante para a Cidade do Galo. O mesmo que coloca os interesses do Galo acima dos interesses do futebol brasileiro. O mesmo que afirma não ter o menor interesse de retornar à cadeira principal dos cartolas atleticanos.

Faço o paralelo com o Presidente Evandro Leitão porque o gestor alvinegro trouxe uma dignidade ao Ceará que prefiro não comentar neste texto. Atendo-me apenas ao fato de o Ceará ter saído de um time totalmente deficitário para um time de razoável respeito no Nordeste, devo dizer que o acesso à Série A do futebol brasileiro foi uma pequena cereja no bolo de estratégias administrativas bem sucedidas. O que dizer? Foi ele o gestor que acertou fora de campo, e a bola “entrou na casinha, uai!”.

Evandro Leitão viu algumas vezes as portas abertas para sair nos braços da torcida alvinegra, mas apostou em continuar. Beneficiou-se do fato de estar à frente do clube e ganhar alguns votos que o ajudaram a entrar de cabeça na Assembleia Legislativa. A eleição não se deveu a isso, obviamente, mas conheço alguns que apostaram na urna como se estivessem em um estádio de futebol. Mas ele preferiu não sair. Assim como Kalil, levou para o seu clube o troféu mais importante desde 1914. Chorou por não ter conseguido o penta em 2015 e pode ser o presidente da queda para a terceira divisão.

O ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em 1994, antes mesmo de ser eleito, que “a minha inteligência é maior que a minha vaidade”. O Presidente Kalil levou essa frase bem a sério e é conhecido apenas como o Presidente da Copa Libertadores. O time do Ceará vem jogando mal, eu sei, não é apenas uma questão de a bola não estar entrando. É muito mais do que isso. Não sei como o Presidente Evandro Leitão será conhecido se o seu time entrar no buraco da terceira divisão, mas tenho uma leve suspeita de que, em acontecendo, teremos o maior surto de amnésia que o Ceará já viu. Como a torcida lembrará dele? Alguma ideia?

1 comment on “#NossoFutebol015 Quando a bola não “entra na casinha””

  1. GUILARDO HOLANDA Responder

    É bastante salutar pensar desta forma, na qual apenas o fato de “a bola não querer entrar na casinha” marque gerações administrativas ou futebolísticas para milhares de apaixonados.
    Eu, sendo um mero torcedor alvinegro, espero e torço para que esta geração não venha a ficar marcada por um descenso, principalmente, porque aprendi a vê-los vibrando sempre no topo de cima dos campeonatos. Força VOZÃO.

Leave A Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *