#NossoFutebol003 Por favor, não “erri”

Por favor não erri

Por favor, não “erri”

Perdoe-me o início grotesco, condenando você, caro leitor, a ter como início um ataque intencional ao léxico português. Talvez seja uma tentativa de esconder debaixo desse gigante equívoco os pequeninos erros (estes não intencionais) que virão a seguir, pelos quais já peço minhas sinceras desculpas e que você não desista de ler essa reflexão até o fim. Seria mais conveniente deixar o erro para o final, para o último lance? O que faz real diferença na graduação de falhas de uma pessoa, seja no lado profissional ou pessoal?

Faço esses questionamentos para que analisemos dois casos particulares do nosso futebol: os goleiros dos maiores clubes do estado. Do lado alvinegro, o consistente Luís Carlos, dono de um percentual considerável nos feitos alcançados em partidas recentes do recém coroado campeão do Nordeste. Por outro, o importado Deola, envolvido em algumas falhas que culminaram em alguns insucessos do atual campeão estadual.

A provocação tem como principal e recorrente motivação a forma como repercutiram as falhas de ambos goleiros nos últimos jogos da Copa do Brasil. Luís Carlos, com uma saída errada no jogo de ida contra o deca-campeão mineiro, foi criticado de forma dura por alguns formadores de opinião (sic). Com esta falha, o Ceará deixou de ter nas mãos um resultado excelente fora de casa para um resultado considerado apenas razoável na capital mineira. Diga-se de passagem, a capital que sediou a última final da Copa do Brasil teve cerca de 900 torcedores para acompanhar o jogo entre o Ceará e América-MG. Já o arqueiro tricolor teve de absorver para si uma carga de responsabilidade considerável após participar de uma das jogadas mais bisonhas do futebol profissional mundial dos últimos tempos, que contou com a nobre colaboração do bom lateral Tinga. A atuação foi seguida pela confusão que fez entre pênalti e tiro de meta na última cobrança da série de alternadas, deixando o Fortaleza de fora da próxima fase do torneio nacional e classificando o Coritiba para enfrentar a Ponte Preta gigante.

Se o bravo camisa 1 do Ceará já viveu suas glórias com a camisa alvinegra, o mesmo não aconteceu com o goleiro tricolor. Se o Ceará não pode responsabilizar Luís Carlos por nenhuma decepção, certamente é de Deola a razão de tantas palpitações nos corações leoninos. Não quero dizer que a repercussão com a falha dos goleiros foi idêntica, de forma alguma. Diria apenas que foi proporcional ao prejuízo causado, o que parece algo injustificável, visto que será impossível reparar a eliminação do tricolor. Por que atribuir, repito, de forma proporcional, as críticas aos goleiros Luís Carlos e Deola?

Queria enfatizar uma informação acerca dos atletas que figuram com a camisa 1 dos clubes rivais:

Clubes anteriores

Luís Carlos: Iguaçu/PR, Ypiranga/RS, Paraná/PR

Deola: PALMEIRAS/SP, Vitória/BA, Atlético Sorocaba/SP

O que deveria servir de motivação para uma cobrança maior por parte do goleiro tricolor, surte como uma anestesia que blinda Deola de críticas mais condizentes com suas atuações na meta do Fortaleza. Ocorre que o nome PALMEIRAS no currículo parece proteger o camisa 1 de responsabilidades que são suas. Pedir a cabeça do atleta é algo que não traria resultado nenhum no curto ou longo prazo. Mantê-lo seria, até mesmo, o sinal de cumprimento de um eventual planejamento que o Fortaleza tenha para o ano, mas, os atletas profissionais precisam ter uma cobrança proporcional aos salários que recebem. Deola demonstra uma apatia comovente. Chego a me perguntar se ele está sentindo da garoa paulistana.

Ocorre que, em geral, a imprensa atua de forma parcial quando deseja destruir alguém profissionalmente ou colocar no lugar mais alto a bola da vez, por motivações que caminham em paralelo, mas não em concordância, com a verdade que nossos olhos podem ver. Mas seria essa uma característica particular da imprensa? Será que os erros de alguém com carisma ou bagagem são absorvidos como aquele que não tem a grife que o proteja? Para o pensamento recorrente no Brasil, por exemplo, é inconcebível manter um treinador por 26 anos, caso de Alex Ferguson à frente do Manchester United, ou de Arsène Wenger que detém desde 1996 o comando técnico do Arsenal. Eu me atreveria a dizer que esses clubes são mais bem sucedidos que os maiores clubes do futebol cearense, mas essa é apenas uma opinião particular. Me atreveria até mesmo a dizer que, nesse tempo todo de comando, sua forma de treinar deve ter desagradado a alguns, seus resultados não convenceram a maioria. Existe uma escala de decisão que infelizmente não alcançou a forma de trabalho na nossa amada terrinha: o planejamento não está acima da raiva, arrogância, paixão ou vaidades.

Ilustro com o caso dos nossos dois goleiros a parcialidade com que são interpretadas nossas ações. Certamente você já foi julgado com parcialidade. Infelizmente, mesmo com todo cuidado, você também já foi parcial. Porém, caso você não tenha quem te proteja da “opinião pública”, por favor, não erre!

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