#NossoFutebol001 As verdadeiras cores de uma festa em preto e branco

Se este blog teve um momento inicial, posso declarar com toda tranquilidade que ele veio no dia 30/04/2015, logo após a conquista da Copa do Nordeste de 2015 pelo alvinegro de Porangabuçu. Nada mais justo que colocar no #NossoFutebol001 o meu primeiro texto sobre futebol…

 

As verdadeiras cores de uma festa em preto e branco

 

Alguém poderia descrever o que aconteceu no dia 29/04/2015 na Arena Castelão? Será que alguém se atreveria a relatar tudo que se passou no campo do Dias Macedo? Pois bem, me apresento: sou Henrique, 30 anos, torcedor do Fortaleza, e hoje escreverei sobre o momento mais importante da história do alvinegro cearense.

Inicialmente, gostaria de dizer que eu escreveria com imensa satisfação se o resultado fosse adverso, e que meu coração bateu forte de esperança nos minutos iniciais da batalha que teve mais de 64 mil testemunhas vendo um Bahia ferido, mas não morto.

A estratégia era simples: tirar nos primeiros minutos a vantagem que o Ceará conseguiu fora de casa, com o máximo de tranquilidade que uma final desse porte poderia permitir. E o tricolor baiano, que chegara atrasado a Arena em virtude de um erro no percurso desde o hotel, conseguiu ter o domínio da pelota e até chegou a ameaçar a festa que estava toda pronta. Parecia até que o Bahia tinha se revestido de uma coragem que lhe faltou nos primeiros 90 minutos de luta, mas foi apenas mais uma oportunidade de os heróis de preto e branco se consagrarem, e um deles merece um espaço relevante neste texto.

Ricardinho foi um verdadeiro líder. Enquanto muitos elogiavam a postura tática fundamental deste atleta, eu observava quantas vezes ele batia o punho fechado no escudo de 5 estrelas. Parecia muito sincero o viver neste momento de ápice da história do clube. Ricardinho não era mais aquele jogador que jogava bem ou mal, mas era o símbolo de aplicação tática totalmente regida por uma disposição de fazer aquele time campeão. A barba cresceu e a maturidade em campo era evidente. Sua motivação fez com que ele fizesse o primeiro gol da final dos 100 mil e participasse dos outros dois. A alma de decisão uniu jogador e camisa e ambos se agigantaram de uma forma em que era indiscutível sua importância na final.

Serei um crítico ferrenho de todo aquele que mencionar que Magno Alves passou em branco. O sentimento de pequenez que sempre ditou nosso futebol finalmente deu sinais de que não será eterno e um dos responsáveis por isso responde pelo nome de Magnata. Um jogador muito bem casado (isso ainda será comum, eu acredito), temente a Deus e altamente decisivo dentro de campo. Mas sua importância é muito maior que a cancha. As quatro linhas do camisa 9 são: uma fonte perene de gols; vitalidade de um mancebo; declarações de um vencedor. Na opinião deste que vos escreve, esta última de maior importância para o nosso futebol. Já virou jargão no meio da imprensa cearense valorizarmos as imensas torcidas que temos, uma razoável cobertura “jornalística”, uma arena de Copa do Mundo, porém, é indiscutível a mentalidade microscópica da maioria dos dirigentes e atletas. Nosso futebol já teve esquadrões muito mais qualificados que o Ceará de da última quarta-feira, mas que sucumbiam por medo de vencer. O Magnata era um terror para o duro Titi e o aplicado Robson. A movimentação rápida do jovem de 39 anos confundia o sistema defensivo, deixando Wescley brilhar, cavando faltas que sempre levavam perigo e, principalmente, deixando o recado claro de que a sede com que o time de Sérgio Soares poderia a qualquer momento culminar em um tento do centenário de Porangabuçu. Magnata, você já pode ir para o meu Fluminense, pois você já deixou o legado para o futebol cearense: o alcance do futebol cearense deve ser maior que as fronteiras do nosso estado.

Luiz Carlos e suas defesas incríveis, cara fechada, de leão mesmo (sem qualquer ironia, o cara é um leão). A meta alvinegra tem um jogador de expressão segura e defesas que salvaram o Ceará de muitas derrotas. Não fosse por ele, a caminhada do seu time poderia ter outro percurso. A postura de observar o adversário e agir na hora certa foram a segurança de um time vencedor. Pouco utilizado nas finais, apareceu na hora certa em jogos contra o River, Botafogo e, principalmente, nos clássicos contra o Fortaleza. Como tricolor, confesso que era decepcionante ver o Fortaleza ter volume de jogo contra o rival e bater de frente na muralha que se tornou o camisa 1 do “Mais querido”.

Em uma vitória, o resultado não pode ser atribuído a alguns poucos, porém, há de ser valorizada a participação destes atletas. O êxito só pode ser conquistado em equipe. Na engrenagem, todos tem a sua contribuição. Não conheço todo o elenco do Ceará, mas desejo realmente que o torcedor saiba valorizar todas as peças que fizeram o time levantar a taça dourada de 9 anéis que trará real valor a Carlos de Alencar Pinto.

São muitas as coisas que fazem um time campeão. Um bom preparo físico, um planejamento coerente com a realidade, o salário em dia, o imponderável, a bola que entra no finalzinho do jogo. Foi por 1 gol no final da partida que o Ceará venceu o Botafogo-PB e conseguiu 3 pontos, àquela altura, imprescindíveis. Foi pela diferença de 1 gol pró que o Ceará trouxe a decisão para a Arena mais bonita do país, a Arena Castelão. Foi nesse estádio que testemunho o Ceará ser vice do mesmo torneio ano passado. Palco que foi espaço para o segundo revés de Sérgio Soares no torneio regional mais importante do país, dando outras cores ao amargo sabor da derrota deste competente treinador. Lugar onde finalmente o Ceará superou em público a torcida do Fortaleza em jogos de torcida única, quase 1 ano depois da Copa do Mundo. O Ceará amargou o título do Sport em sua casa, mas soube manter jogadores, escopo, planejamento e hoje, pode dizer que conquistou um título realmente importante para a história. Diria que superou inclusive o desejo de muitos dirigentes e torcedores que priorizam estar acima do rival a conquistar algo de real valor.

O apogeu do alvinegro é maior e mais pesado que aquela taça. A conquista é maior que o fanatismo de muitos da imprensa que, a título de manter viva a mentalidade de que não podemos ganhar nada, trazem valor ao campeonato que se resume a dois clássicos no mês de abril. O Ceará teria motivação, elenco e força para vencer o Fortaleza na final, naturalmente. Seria até normal se o Penta virasse uma realidade, embora, com todas as minhas forças torci para que acontecesse o inverso, o que irei explorar melhor em uma próxima oportunidade.

Registre-se o dia 29/04/2015 como um marco para uma grande festa, e ela foi toda preta e branca. No mais, anotemos nas nossas mentes que o nosso futebol é bem maior que o pirulito que nos entregam para entreter a multidão. O alcance pode ser bem maior.

O centenário do tricolor está chegando, quem está pensando nisso? Quem está preocupado ou sonhando ver o Fortaleza na série A em 2018? Você sabia que isto é possível?

Alguns poucos alvinegros acreditaram nisso e hoje estão vibrando com o título do Nordeste junto aos outros que, por conformismo, batiam na tecla de que a prioridade era o penta.

Meu propósito de descrever a batalha no Castelão talvez não tenha sido a melhor, mas espero que possamos celebrar no futuro o sonho de sermos maiores do que somos. Quem disser o contrário, vista a camisa do Flamengo ou Corinthians e seja feliz.

 

Leave A Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *