#NossoFutebol024 A missão, a patente e a rendição

A missão, a patente e a rendição

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O time do Ceará resolve seguir a missão de brigar contra a queda sob novo comando. O Cabo não deu conta de sustentar o time nesta dura guerra. O comandante fez promessas sem mesmo conhecer os comandados. Prometeu campanha de time campeão com uma equipe cheia de baixas. Mas na hierarquia do alvinegro, ele era só mais um subordinado. Um subordinado que não conhecia sua missão, não possuía patente e acabou se rendendo aos resultados que não vinham.

Antes de qualquer coisa, nunca me entrou o argumento de contratar um treinador emergente para superar uma situação que exigia experiência e serviços prestados. Nada contra o treinador, ele tem suas qualidades. Conseguiu a melhor sequência do Ceará em toda sua trajetória na Série B do campeonato da CBF, apesar de o parâmetro estar nivelado por baixo.  O time teve momentos em que engatou a segunda marcha, mas nunca pareceu que iria passar disso. Todo treinador jovem precisa “engrossar o couro” para poder passar por uma situação dessas, e creio que hoje ele esteja muito mais preparado para isso.

Fico imaginando como foi a trajetória para sua contratação, desde as tentativas frustradas de trazer outros treinadores da lista, até o momento em que recebera a ligação que o traria para Porangabuçu. Dentro de suas virtudes, as quais não sou conhecedor do futebol para poder avaliar, diria que a inocência é a mais preciosa. Mal chegou em Fortaleza e os “formadores de opinião” o colocaram sob uma pressão gigantesca. Foi jogado em meio aos leões, teria que dizer alguma coisa e acabou prometendo algo que o time não poderia oferecer: uma campanha de time campeão.

Mas o treinador Marcelo Cabo não tem responsabilidades tão grandes quanto daqueles que estavam antes de sua chegada, tampouco superiores à dos que ainda permanecem. Nunca foi a primeira opção dos dirigentes alvinegros, mas foi o escolhido para a dura missão. Os gestores, que são sempre muito elogiados quando os resultados chegam e quase sempre criticados quando a bola não entra, voltaram a listinha de possíveis técnicos e conseguiram resgatar um treinador que estava de férias forçadas: Lisca é a última cartada para salvar o Ceará do rebaixamento.

O maior beneficiado com estes quase 60 dias de trabalho foi o próprio Marcelo Cabo. Ganhou uma experiência muito válida, que não teria fazendo cursos na Espanha. Em sua trajetória profissional ele teria que passar por uma situação dessas, só não compreendi ainda por qual razão o Ceará escolheu ser a escola dele.

A árdua missão de conseguir os pontos para prosseguir na segunda divisão prossegue. Não diria que o comando está sob uma nova patente, mas, nesta guerra, só não vale se render.

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